As 7 maravilhas do subúrbio carioca


O que tem no subúrbio do Rio de Janeiro de tão impressionante, de tão diferente, de tão antropologicamente interessante que te faria sair dessa cadeira aí e desbravar os caminhos da encantamento? Muita coisa, meu caro leitor.

Pois esta lista é para quem não considera apenas os clichês de cartão postal e pensa também nas coisas impressionantes que brotam fora dos holofotes, ao visitar uma nova cidade. É também para quem sempre morou na Zona Sul e quer deixar de encarar uma eventual visita à Zona Norte como uma excursão a terras bárbaras cheias de índios. Por fim, e sobretudo, é para quem mora no subúrbio e sabe de cor tudo isso, conhece as atrações da região, mas nunca se deu ao trabalho de valorizar o que é seu, de olhar com orgulho para o próprio lugar.

Abaixo, as maiores atrações turísticas do subúrbio do Rio:

1 – O trem

instagram: @mobtrilhosrj

Eis aí a marca da experiência autêntica do suburbano. Ele sai da Central do Brasil (aquela estação grandona do filme com a Fernanda Montenegro e o guri abandonado) e risca o coração da cidade. Ao longo de toda a composição, o que se destaca são os vendedores ambulantes a oferecer os mais diversos artigos do dia a dia, lanches rápidos e mais um sem número de bugigangas, cada um deles realizando um espetáculo diferente para tirar qualquer monotonia da viagem. Momento para celebrar a resistência de nosso povo que sabe driblar as dificuldades da vida com jogo de cintura, capacidade de invenção e bom humor. Se formos comparar, não temos dúvidas da superioridade do trem sobre o metrô: além da alegria instalada em seus corredores, o ar condicionado ali funciona muito melhor, o espaço é mais amplo e, principalmente, o trem desliza sempre na superfície: ele não se esconde debaixo da terra em túneis escuros, como seu rival introvertido. Fique de olho também na principal data festiva dos trens: o dia do samba (2 de dezembro), quando o interior dos vagões, em determinados horários, recebem grupos musicais que executam ao vivo o mais sublime samba de raiz e só param em Oswaldo Cruz.

 

2 – O Parque Madureira

instagram: @rachelvillaradm

Terceiro maior parque da cidade e fruto de uma intervenção urbana que requalificou um terreno subutilizado por onde passavam linhas de transmissão da Light, o Parque Madureira hoje se estende por 3,5 km, contando com 450 mil metros quadrados repletos de atrações, que vão desde uma extensa ciclovia a quadras para a prática dos mais diversos esportes, além de quiosques espalhados por todos os lados, um circuito de bikes, brinquedos para crianças menores e palcos para shows. Coisas para fazer no parque? Cantar num videokê em um quiosque, levar as crianças para tornar banho de cachoeira, andar de skate numa pista profissional, dançar, fazer uma corrida ou simplesmente parar alguns minutos para um descanso na grama verdinha.

 

 

3 – O Mercadão de Madureira

instagram: @debpeixoto

Seja bem vindo à maior concentração de produtos religiosos do planeta. Reconhecido em 2012 como Patrimônio Cultural Carioca de Natureza Imaterial, por conta de sua história de resistência (sofreu um incêndio em 2000), como a própria história das populações africanas que para cá trouxeram suas crenças ancestrais, seus ritos e batuques, o Mercadão de Madureira oferece tudo o que se precisa para fazer qualquer trabalho. Se fosse apenas para sentir os aromas do continente mãe da humanidade, já valeria a visita. Mas o Mercadão vai além: é um centro comercial com preços mais baratos até do que o Saara, no centro. É o espaço ideal para um tour gastronômico. É o lugar para onde você deve ir quando começar a escolher os itens da decoração e as lembrancinhas da festa temática da criança.

 

4 – A Quinta da Boa Vista

instagram: @carlinhos_lins

Lugar bucólico, vasto e convidativo a um piquenique, a Quinta da Boa Vista é o mais importante parque da cidade. O leitor se surpreenderá com lagos extensos, árvores anciãs, amplos gramados para brincar com os filhos e muitas barracas de comida para saciar a fome. Verá, por fim, se erguer diante das vistas o imponente Museu Nacional, onde se fará uma verdadeira ode à ciência, da antropologia às ciências naturais, passando pela história do Brasil. Por falar em história, o visitante, a esta altura, já saberá que o lindo palácio a abrigar o museu já foi nada menos do que a residência da família real portuguesa quando a mesma se mudou de mala e cuia para o Brasil.

 

5 – As calçadas musicais de Vila Isabel

instagram: @pedromacbast

Que experiência ímpar caminhar por calçadas de pedras portuguesas, não é mesmo? Isso nos remete a nossas origens ibéricas. E se nessas pedrinhas miudinhas, para usar uma expressão do historiador Luiz Antonio Simas, estiverem gravadas partituras de clássicos da música popular brasileira? Pois é isso o que o leitor encontrará no chão ao passear pelo charmoso bairro de Vila Isabel. Ao longo do Boulevard 28 de Setembro é possível viajar pela nossa história musical e conferir as notas sincopadas de canções imortais, como Abre-Alas, de Chiquinha Gonzaga, Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida, Aquarela do Brasil, de Ari Barroso, e Feitiço da Vila, de Noel Rosa, dentre outras.

 

 

 

6 – A Batata de Marechal

instagram: @raniielreis

Não é uma batata frita normal dessas que têm vergonha de ser quem são, dessas que murcham em contato com o oxigênio e viram borracha depois de cinco segundos. Estamos falando da rainha de todas as batatas fritas cujo preparo só quem já teve a felicidade de acompanhar poderá descrever, cuja complexidade do paladar só quem já teve a alegria de sentir poderá comunicar. Esqueça a gourmetização, deixe de lado a frescura. O que você vai experimentar é gastronomia popular do mais alto calibre. Imagine um prato de alumínio, desses de quentinhas, com tanta batata caindo nele a ponto de ser necessário carregar tudo num saco plástico desses de supermercado. Imagine o sabor do cheddar, do bacon, da calabresa e do frango dançando graciosamente no meio dessa montanha. Imaginou? Agora anote aí o endereço e vá conferir. Pode até levar uma cadeira de praia, porque a fila costuma ser grande: rua João Vicente, 1543, Marechal Hermes.

 

7 – As quadras das escolas de samba

instagram: @paixaodaia

E por fim, a cereja do bolo. As maiores entidades culturais da humanidade, as mais completas instituições artísticas do globo, são criações genuinamente suburbanas. Escola de samba e subúrbio sao praticamente sinônimos. As do Rio de Janeiro, para quem não sabe, funcionam o ano inteiro e suas quadras oferecem um sem número de atrações e eventos regados a muita feijoada e cerveja gelada – a feijoada da Tia Surica, na quadra da Portela, é imperdível. Nosso palpite? A partir de meados de setembro, vá conferir os ensaios de quadra. Eles ficam lotados e lá você pode ter uma amostra da animação do espetáculo que acontece todos os anos na Marquês de Sapucaí. As quadras mais badaladas: Portela (rua Clara nunes, 81, Oswaldo Cruz), Mangueira (rua Visconde de Niterói, 1072, Mangueira), Unidos da Tijuca (rua São Miguel, 430, Tijuca), Salgueiro (rua Silva Teles, 104, Andaraí), Beija-Flor (rua Pracinha Wallace Paes Leme, 1025, Centro, Nilópolis), Mocidade (Avenida Brasil, 31146, Padre Miguel).

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sociólogo, carioca, pai da Amelie, vai do samba de raíz ao rock ‘n roll sem escalas, escreve bem pacas, nosso moreno claro e, lógico, palpiteiro.

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1 comentário

  • Eliezer
    29 de julho de 2017 at 14:19

    O espírito do subúrbio da Central é imortal!

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