Porto: uma escala de 24 horas e muitas descobertas


Vínhamos saciados e exaustos de uma estadia de 10 dias em Paris. Exaustos porque viajamos com nosso filho de 3 anos e 10 meses. Mas isso será tema para um texto próprio em breve… e, saciados porque Paris sacia em todos os sentidos. Sacia o gosto com sua culinária de pratos regados a molhos de sabores únicos, sacia o olfato com o cheiro de baguetes saindo do forno a cada esquina e seus queijos que quanto mais “cheirosos”, mais gostosos, sacia a visão pois é a mais deslumbrante cidade feita pelo homem no meu modesto palpite de viajante pelo mundo, sacia a sede com seus vinhos e champanhes, sacia o espírito com seus museus repletos das mais belas obras de arte do mundo e sacia a alma com sua poesia que paira pelo ar. Então, depois de Paris, o que mais? Nada. Voltar para casa e ficar por um tempo em estado de êxtase com as reminiscências parisienses.

Mas, não! Nosso voo de volta para o Rio de Janeiro tinha uma conexão. Uma escala. Em Porto, Portugal. No início, antes da viagem, estávamos empolgados e, para falar a verdade, fomos nós mesmos que optamos por ela. Mas, no final, bateu um leve arrependimento – pelos motivos acima descritos: estávamos exaustos e saciados sendo que, o primeiro motivo pesava sobremaneira para querermos entrar no avião e voltar direto para casa. Entretanto, não havia jeito. E então, desembarcamos em Porto numa quarta-feira meio chuvosa com a criança, mas pelo menos sem as malas pois como era um voo de conexão elas puderam ser despachadas direto para o Rio.

E, mais uma vez confirma-se a máxima: melhor se arrepender de algo que fez do que de algo que não fez. Foram as 24 horas mais sublimes da minha vida! Nosso hotel ficava localizado na Rua das Flores. À princípio eu não sabia muito bem do que se tratava e ignorei o enorme calçadão que seguia à direita do hotel porque nosso objetivo era chegar à beira do rio Douro. E, como nosso check in ainda não podia ser feito, seguimos direto.

Para nossa surpresa, estávamos muito próximos à beira do rio. No entanto, demoramos muito a chegar nas margens do Douro porque simplesmente, ao aproximar-se dela você começa a se perder num magnífico labirinto de vielas, becos, ruelas, escadarias, todos cercados por um esplêndido casario preservado, lindo, e naquele dia até um pouco sombrio pelo tempo fechado, o que dava ainda mais um tom de dramaticidade idílica ao lugar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E por essa hora, estávamos famintos. Começamos a procurar a esmo um lugar para comer e a escolha foi difícil porque muitos pareciam maravilhosos. Mas achamos o nosso eleito. Assim mesmo no olhômetro, sem consultar guias ou sites. Uma tasca que fica numa ladeira que faz esquina com uma escadaria e ainda tem vista para o rio. Deu para imaginar? Sentamos numa mesa fora, comemos bacalhau e polvo, os melhores do mundo, regados a um vinho do Douro, claro.

 

 

 

Depois dessa lauta refeição, finalmente conseguimos chegar às margens do rio.

 

 

E então nosso filho avistou um teleférico que passava por sobre o Douro e não teve jeito: lá fomos nós. O problema (ou solução) é que até chegar na entrada do teleférico, fomos nos deparando com muitas outras maravilhas… inclusive um pequeno parque situado bem à margem do rio onde nosso pequeno pôde brincar aos pés de uma das mais belas paisagens do globo enquanto meu marido dava um pulinho na vinícola bem em frente para comprar uma garrafa de vinho para tomarmos mais tarde… tudo acontece, tudo é mistério, tudo se descortina ao andar pelas ruas de Porto.

 

 

E o tal passeio de teleférico nos proporcionou uma das mais (senão a mais) maravilhosa paisagem que já pude ver na vida. As fotos que tirei com o celular falam por si só.

 

Porto: uma escala de 24 horas e muitas descobertas

 

 

 

 

 

 

 

Ao desembarcar do bondinho, resolvemos voltar a pé, lá de cima mesmo e, mais uma vez, escadarias, becos, vielas, uma igreja escondida num largo, casarios. Até que, quase como uma mágica, chegamos sem querer na porta do nosso hotel.

Eram quase 6 da tarde. Subimos com duas taças de vinho do Porto – cortesia da casa – para um banho relaxante e revigorante. Descansamos um pouco, organizamos o pouco que havia para a partida no dia seguinte, e então lá pelas 8 da noite saímos de novo em busca de mais descobertas. E foi então que percebemos que estávamos hospedados na famosa rua das Flores, lugar histórico que remonta a época das grandes navegações hoje ladeada por bares e restaurantes – um mais convidativo do que o outro. Andamos por ela todinha, encantados, banhados pela noite enluarada, ouvindo músicos de rua, entrando e saindo dos lugares até encontrar nosso segundo eleito: uma outra tasca muito típica a poucos metros do nosso hotel onde comemos o famoso presunto de porco preto (variação portuguesa do presunto pata negra espanhol e que, por ter uma produção menor e mais artesanal é 100 vezes melhor!), um queijo de leite de ovelha e uma alheira. Tudo isso enquanto nosso filho, adormecido no carrinho, nos deixava um pouco a sós para um desfrute final de uma conexão de voo que foi para mim, um dos pontos altos de toda a viagem.

 

Porto: uma escala de 24 horas e muitas descobertas

 

Me perdoem por não ter anotado os nomes dos lugares que fomos. No deslumbramento ao qual fui acometida, esqueci que sou blogueira e que precisava me ater a essas informações. Mas, posso garantir a vocês que o mais bacana em Porto talvez seja mesmo desconhecer e descobrir sozinho. Assim como sem querer, nós fizemos.

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