Do Ketchup à Pizza D.O.C. – Uma evolução das pizzas no Rio de Janeiro


“É que quando eu cheguei por aqui, eu nada entendi…”
– Caetano Veloso

Imaginem vocês uma paulistana. Nascida e criada nos arredores da Avenida Paulista. Nascida e criada nas tradições da sua descendência italiana nas mais típicas cantinas e pizzarias de São Paulo e que ouvia seu pai contar a história da pizza e dizer que só existem quatro verdadeiros sabores: mozzarella, calabresa, alicci e napolitana. O resto eram invencionices. Numa dessas invencionices, quando ainda era adolescente, chegou a moda da pizza de catupiry e ela comia escondido do pai para não ter que ficar escutando que aquilo era uma heresia.

Imaginem agora essa pessoa com 30 anos de idade chegando no Rio de Janeiro para morar sem data para voltar. E imaginem que, em 30 anos, sua experiência carioca fora apenas: uma viagem de turismo com 16 anos, em 1986, acompanhada de seus pais e irmão, quando fez o circuitão bondinho-cristo-posto 9 (com direito a ver o top less da Roberta Close); uma outra vinda aos 23 anos com um namorado cuja mãe morava em Jacarepaguá – e de lá só saíram para a praia do Pepê e um show do Chico Buarque (Paratodos) no Canecão; e uns bate-e-volta quando aos 28 trabalhava num banco – ia do Santos Dumont para a Candelária e da Candelária para o Santos Dumont.

Mas o destino a trouxe para morar em terras Guanabaras. E foi quando, num domingo à noite, na ânsia de conservar seus hábitos paulistanos, saiu à caça de uma pizza.

Foi uma sequência de choques. O lugar parecia qualquer coisa menos uma pizzaria. Boteco, barzinho, lanchonete, tudo menos pizzaria. Nas mesas (na calçada), uma coisa chamou sua atenção: tubos e mais tubos de ketchup. “Não tô entendendo”. Finalmente, chegou a pizza. Gigante, numa forma de alumínio. Primeiro choque: “Pode cortar à francesa”. Sob esse comando o garçom nervosamente picotou a pizza em diversos quadradinhos. Segundo choque: após esse esquartejamento da pizza o rapaz espetou diversos palitos Gina, um em cada quadrado para os comensais servirem-se. Achando que não sobreviveria a mais um choque, veio o tiro de misericórdia: seus amigos lançaram mão do tubo de ketchup e espalharam o molho por todos os micropedaços de pizza.

Algum tempo depois dessa primeira fatídica experiência, começaram a abrir no Rio de Janeiro pizzarias de verdade. Foi uma festa para nossa ítalo-paulistana-descendente. Fornos à lenha. Ingredientes com selo D.O.C. Pizzaiolos. Pizzaiolos italianos. Banimento do ketchup. Azeite extra virgem nas mesas. Pedaços triangulares individuais no prato. Palitos Gina banidos! Comer com garfo e faca, e deliciar-se com uma bordinha crocante no final. Hoje, podemos dizer que as pizzas do Rio de Janeiro estão entre as melhores do Brasil. Foi uma evolução – na verdade uma revolução, pois até hoje ainda se escuta dizer por aí: “e o carioca descobriu a pizza”.
Agora, um segredo: essa paulistana sou eu. E se vocês prometerem não contar para o purista do meu pai, irei revelar aqui meu palpite dos melhores sabores de pizza do Rio de Janeiro – que vão muito além dos tradicionais mozzarella, alicci, napolitana e calabresa. Então, aproveitem o dia da pizza e comemorem com esses palpites!

Buono appetito!

10 melhores sabores de pizza do Rio de Janeiro (não necessariamente nessa ordem):

1. CAMPAGNOLA: filet de tomate, tomate seco, funghi porcini, rúcula e pecorino.
Pizzaria Capricciosa

2. MARGUERITA GOURMET: mozzarella di bufala artesanal, pachino, lascas de parmigiano e basílico.
Pizzaria Capricciosa

3. DI PATA NEGRA: mozzarella di bufala artesanal, queijo taleggio, rúcula selvagem e presunto pata negra.
Pizzaria Capricciosa

4. OPERA: Pomodori pelati, linguiça calabresa moída, azeitonas pretas, mussarela de búfala defumada, orégano e escarola refogada no azeite, alho, cebola e bacon.
Pizzaria Stravaganze

5. BRANDI: bufalina, queijo grana padano, basílico, pomodori pelati, tomate cereja e azeite extra virgem.
Alessandro & Frederico

6. RICOTA DA CASA: pomodori pelati, ricota de leite de cabra aromatizada com ervas coberta com berinjela assada e tomate seco.
Alessandro & Frederico

7. FIAMETTA: mozzarella, molho de tomate italiano e linguiça calabresa especial. Ao sair do forno é finalizada com cebolinhas confitadas e pimenta biquinho.
Pizzaria Fiametta

8. ALLA SARDA: Molho de tomate, mussarela, linguiça artesanal e funghi fresco.
Casa do Sardo

9. PECORINO E PARMEGIANO: Molho de tomate, mussarela, queijo pecorino sardo, parmesão e rúcula.
Casa do Sardo

10. MAMMA JAMMA – molho de tomate natural, orégano chileno, mozzarella de cura especia e linguiça calabresa artesanal. Gratinada com queijo parmesão.
Pizzaria Mamma Jamma

Vamos encher essa lista com deliciosos palpites!!! Dêem os seus!

Maria Carolina Amendolara

administradora de empresas, paulistana com cidadania carioca, mãe de Graziela e Francisco, ama tomar vinho e cozinhar para os amigos, nossa morena encaracolada, e, claro, palpiteira.

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1 comentário

  • Eliezer
    10 de julho de 2017 at 22:19

    Adoro pizza, melhor comida do mundo!!! Pra mim não precisa ser tradicional não, pode ser pizza da Parmê, pizza cortada à francesa, pizza com mostarda, pizza de rodízio com mil sabores: pizza de cachorro-quente, pizza de strogonoff, pizza de Prestígio… Huuuummmmmm!!!

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