Paternidade no cinema: 7 filmes (ótimos) para assistir neste dia dos pais


Como forma de arte interessada no comportamento, em descobrir quem somos, o cinema é fonte inesgotável de conhecimento. Muito do que aprendemos na vida surgiu não apenas da nossa vivência concreta das coisas ou pela via dos estudos, mas também das horas que passamos diante de filmes instigantes, comoventes, fortes, perturbadores…

Em alusão ao dia dos pais que se aproxima, preparamos estes palpites cinéfilos especialmente para aqueles que desejam mergulhar um pouco mais na diversidade de modos de ser pai e filho neste mundo tão cheio de motivos para nossa perplexidade, nosso espanto, nossa reflexão. Aprender a ser um filho melhor, mais lúcido, ou um pai mais dedicado, mais responsável, sempre poderá ser (por que não?) uma tarefa prazerosa, uma curtição em família.

1 – A árvore da Vida (2011)

O filme mais estranho da lista é também o mais belo. Brad Pitt interpreta um pai severo, um definidor de regras que impõe aos seus três filhos, seus três meninos, os imperativos de um mundo ordenado. Mundo este que, aliás, na linda fotografia do filme, é ressaltado em toda a sua grandeza. É traçado um paralelo entre aquele microcosmo familiar, com seus princípios morais, seus conflitos, suas perdas, suas formas de crescimento, e o próprio cosmos, o universo, a natureza com suas leis de harmonia e movimento. Uma obra diferente de tudo o que você já viu.

IMDb: 6,8

2 – Ladrões de Bicicleta (1948)

Um clássico imortal do cinema. Dirigido pelo consagrado diretor italiano Vittorio De Sica, o filme discute os vários aspectos de uma relação entre pai e filho caracterizada com o signo da exclusão social. Através da jornada de Antonio e seu pequeno filho Bruno em busca de uma bicicleta roubada, sem a qual o pai não poderá trabalhar, conhecemos um pouco da Itália do pós guerra, uma sociedade literalmente destruída, ainda tateando por valores escassos. Não desviem a atenção até a cena final, uma pérola do cinema em sua forma de abordar de modo tocante aquela dupla de batalhadores, entregues à própria sorte, mas sem perder, em nenhum momento, a humanidade que os envolve.

IMDb: 8,3

3 – Pais e Filhos (2013)

Prêmio do Júri no Festival de Cannes, esta é uma jóia do cinema japonês. Tudo começa quando um casal descobre que seu filho foi trocado na maternidade e os pais da criança, casal que criou o filho biológico deles, deve ser comunicado do ocorrido. Somos então apresentados ao dilema de duas famílias que deverão decidir se desfazem ou não a troca. O foco do filme é justamente nos pais das crianças, dois personagens antagônicos: um deles, um alto executivo abastado, certinho, protetor, que guarda certa distância de autoridade e, o outro, um pequeno comerciante brincalhão, simples, afetuoso, que se diverte tomando banho com os filhos. Eles agora devem escolher: abrir mão da educação que construíram para seus filhos em nome de um valor maior segundo o qual as crianças devem viver com seus pais naturais? Ou deverão seguir o modo como as coisas ocorreram, abraçar o acaso e continuar como se fossem os genitores de seus filhos?

IMDb: 7,8

4 – A vida é Bela (1997)

Mais um portentoso filme italiano, ganhador do Oscar. Roberto Benigni dirige e atua nesta produção de época que retrata o holocausto da maneira mais improvável que você possa imaginar. Na primeira metade do filme, uma comédia, conhecemos Guido, um homem divertido e inventivo, e seguimos suas peripécias. Já na segunda metade é que o drama se instala: enviado a um campo de concentração nazista junto com o filho Josué, Guido precisará esconder dele o caráter terrível daquele cenário. Aprendemos a importância do emprego do lúdico e da imaginação para que uma criança inocente seja protegida das condições danosas que a rodeiam.

IMDb: 8,6

5 – Gonzaga de Pai pra Filho (2012)

Este não é só um retrato da trajetória de consagração do cantor Luiz Gonzaga e de sua vida na estrada. Trata-se de uma obra interessada em acompanhar os atritos familiares, as rixas políticas, os afastamentos, as reaproximações, enfim, todos os percalços da ligação afetiva entre dois ícones da música brasileira. Isto porque o rei do baião protagonizou também uma história das mais tocantes ao lado de seu filho Gonzaguinha, outro dos nossos grandes artistas. Somos levados a compreender e até a nos identificar com as motivações desses dois personagens complexos.

IMDb: 7,4

6 – Um Lugar Qualquer (2010)

Neste filme dirigido por Sofia Coppola, filha do aclamado diretor americano Francis Ford Coppola, conhecemos Johnny Marco, um ator repleto de fama e dinheiro, mas sem um sentido para sua vida vazia e solitária, que de repente recebe a visita de sua esperta filha Cleo, de 11 anos. Acompanhamos, então, a transformação desse personagem, que passa a cuidar da filha, já que sua ex-mulher precisará se ausentar da cidade por uns tempos. Sendo ela mesma filha de um astro de Hollywood, pode-se até dizer que a diretora se inspirou em muito do que ela mesma deve ter vivido em sua relação com o pai famoso.

IMDb: 6,3

7 – A Lula e a Baleia (2005)

Conhecemos Bernard, um arrogante escritor em processo de separação da esposa Joan. Seus dois filhos, Walt e Frank, que se relacionam com o pai de maneiras distintas, saberão lidar com esse desafio? Enquanto Walt, de 16 anos, tem na figura paterna a sua principal referência sobre o que é digno de admiração, imitando-o em muitos aspectos, Frank, de 12, é mais ligado à mãe e rejeita, por exemplo, dormir na casa nova de Bernard. Em uma teia complexa de emoções, ressentimentos, conflitos e aprendizagens, o modo como filhos e pais se enxergam mutuamente é problematizado nesta produção vencedora de diversos prêmios.

IMDb: 7,4

Marcos Aquino

sociólogo, carioca, pai da Amelie, vai do samba de raíz ao rock ‘n roll sem escalas, escreve bem pacas, nosso moreno claro e, lógico, palpiteiro.

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1 comentário

  • Eliezer
    13 de setembro de 2017 at 16:21

    A lista é atraente, várias sinopses interessantes!
    Agora, eu odeio muito poucas coisas na vida. Mas uma delas é esse filme “A Vida é Bela”.
    Porque ele roubou o Oscar do “Central do Brasil”
    “A Vida é Bela”: não vi e não gostei.

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