Nhoque da Fortuna – uma deliciosa tradição


Eu adoro tradições. Elas são um maravilhoso pretexto para pararmos tudo e fazermos algo que amamos. Sim, porque com raras exceções, vamos confessar: ninguém segue uma tradição se ela não for fonte de algum prazer. No meu caso, sigo várias – desde as mais comuns, como comemorar o Natal (pretexto para reunir a família e comer leitão e bacalhau), passando por outras muito específicas como ir tomar uma cerveja no mesmo bar em que conheci meu marido toda sexta feira antes do Carnaval (pretexto para tomar cerveja e ver algum bloco passar).

Mas quero falar aqui de uma tradição específica que sigo há uns vinte anos mais ou menos: todo dia 29 do mês, eu paro tudo o que estou fazendo para comer um nhoque da fortuna. Paro tudo mesmo: dieta, estudo e evito qualquer programação que não me permita saborear um delicioso nhoque. No início, quando ainda morava em São Paulo, isso era um maravilhoso pretexto para reunir-me com amigos queridos que os anos e a distância, infelizmente, afastaram de mim. E, claro, comer nhoque. E tomar vinho. Então, não importava o dia da semana em que caísse o famigerado dia 29, nós nos reuníamos – sempre na casa de alguém – para comer o nhoque da fortuna. Era uma festa. Cada um levava uma garrafa de vinho e o anfitrião se encarregava do nhoque. Hoje, morando no Rio de Janeiro há 16 anos, continuo fiel à tradição. Nossos filhos amam. Porque eles também adoram um pretexto para comer nhoque.

Então vou contar aqui um pouco da lenda. Pelo que sei, a história é sobre um tal São Pantaleão que, disfarçado de mendigo, bateu à porta de uma casa num vilarejo da Itália pedindo comida num dia 29 qualquer de um século remoto. A família estava reunida à mesa comendo nhoque e todos deram um pouco do que tinham em seus pratos para o São Pantaleão. Quando ele se foi todos levantaram os pratos e encontraram um punhado de moedas de ouro embaixo de cada um. Desde então, aquele nhoque ficou conhecido como “nhoque da fortuna” e todo dia 29 as famílias do vilarejo passaram a comer nhoque com uma moeda embaixo do prato na esperança de receberem a visita de São Pantaleão e terem mais fortuna.

Existem nuances da lenda, como por exemplo o fato de que restaram 7 nhoques em cada prato depois que dividiram com São Pantaleão e por isso devemos comer os 7 primeiros nhoques em pé. Não sigo essa parte muito à risca não, mas o dinheiro embaixo do prato é sagrado. E tem um outro detalhe: o nhoque tem que ser comido em casa. Afinal, foi numa casa que São Pantaleão bateu à porta e trouxe fortuna (minha interpretação da lenda). Mas é claro que muita gente vai a restaurantes (até eu de vez em quando) e também é uma delícia ter um pretexto para todo dia 29 ir jantar fora e ainda por cima comer nhoque!

Agora… um pequeno dilema: comer em casa um bom nhoque requer um certo conhecimento culinário… e uma disposição daquelas porque fazer a massa dá um pouquinho de trabalho. O molho você terá que fazer, mas é mais fácil. Nada que uma lata de tomate pelado refogado no alho e azeite com um pouco de pimenta e manjericão não resolvam. Mas então, onde podemos comprar uma boa massa pronta de nhoque, meu São Pantaleão?
Você tem algum palpite? Eu tenho alguns. Depois de tantos anos comendo nhoque todo dia 29 do mês entre Rio de Janeiro e São Paulo, me foi possível reunir os melhores lugares para se comprar uma boa massa de nhoque artesanal. Então, escolha o endereço mais perto de você e boa sorte!

P.S.: Só mais um pretexto: como ainda não fiquei rica, continuarei insistindo na tradição…

 

Melhores massas de nhoque do Rio de Janeiro:

1. Casa Carandaí: R. Lopes Quintas, 165 – Jardim Botânico
2. Pastrella: Av. Ataulfo de Paiva, 27 – Loja B – Leblon
3. La Veronese: R. Visc. de Pirajá, 29 A – Ipanema
4. PsiuuKiMassas: Feira livre da praça General Glicério – Laranjeiras (sábados) ou tel: (21) 96429-2625

Melhores massas de nhoque de São Paulo:

1. Jardim de Napoli: R. Martinico Prado, 463 – Vila Buarque (olha ele aí de novo!)
2. Basilicata Laurenti: R. Treze de Maio, 596 – Bela Vista (não falei que ela retornaria?)
3. Padaria São Domingos: R. São Domingos, 330 – Bela Vista

Você tem outro palpite onde comprar uma deliciosa massa de nhoque? Queremos saber!

Maria Carolina Amendolara

administradora de empresas, paulistana com cidadania carioca, mãe de Graziela e Francisco, ama tomar vinho e cozinhar para os amigos, nossa morena encaracolada, e, claro, palpiteira.

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1 comentário

  • Eliezer
    29 de julho de 2017 at 14:13

    Em tempos de crise econômica, haja nhoque pra dar conta!

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