Lisboa com Fernando Pessoa


Era verão quando desembarquei, após aproximadamente 10 horas de voo sobre o Atlântico, no aeroporto de Lisboa. E, apesar da distância e do fuso horário (4 horas por causa do horário de verão), a sensação era a de que estava em casa. Talvez porque Lisboa represente um pouco da minha mistura, da minha história e seja muito similar à minha cidade natal, que é o Rio de Janeiro.

Logo, quero perambular pela cidade e, nas redondezas do hotel, caminho pelas ruas de paralelepído do Chiado, um lugar que transita entre o bucólico, o urbano e o boêmio – diria que é o coração de Lisboa. Logo adiante, avisto “A Brasileira”, o café que é tanto falado nos blogs e guias de turismo. Na frente, uma esplanada da casa com uma escultura que parece fazer um convite aos turistas: “sente-se ao meu lado e vamos filosofar”.  

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A estátua é Fernando Pessoa e, depois disso, é impossível não andar por Lisboa e não perceber que é marcante a memória do famoso lisboeta na cidade, até nas lojas de souvenir há camisas, blocos, utensílios de um dos maiores poetas da história. Ainda naquele delicioso bairro do Chiado, perto da Brasileira, é possível folhear os livros de uma das livrarias preferidas de Pessoa, a Bertrand, que é considerada a mais antiga do mundo.

Também, próximo dali, há a igreja dos Mártires, que inspira o poema “Ó sino da minha aldeia”, próximo do local de nascimento de Pessoa e também do magnífico Teatro Nacional de São Carlos, que naquela semana exibia um concerto ao ar livre no largo à frente. No dia seguinte, em Belém, deparo não só com o Tejo e os monumentos das grandes navegações, que tanto também inspiraram o poeta, mas com o seguinte poema na lápide do trovador no Mosteiro dos Jerônimos:

“Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive” .

“Para ser grande, sê inteiro: nada”, Ricardo Reis.

Resolvi, com meu companheiro, à tarde, pegar o clássico elétrico 28, que, hoje, funciona mais para os turistas e para as “senhorinhas” que ainda são relutantes no uso dos outros meios de transporte. No Bonde, que atravessa a cidade, fomos até a Casa Fernando Pessoa, já estava curiosa, queria conhecer a morada e os detalhes da vida daquele ilustre português.

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No hall de entrada um mapa astral de Fernando e pela casa havia mais três dos “outros eus” principais do poeta. Nas paredes, poesias expostas e um quadro desperta atenção: seria do amigo pintor Almada Negreiros. No quarto do artista, tudo estava como em 1935, ano da morte dele, a cama, a célebre arca, o mapa astral e a cômoda, sem cadeira, que serviria de apoio para as criações daquele homem misterioso e de múltiplas faces e facetas literárias. Ali, tive a certeza que a “minha pátria é a língua portuguesa”.

Roberta Sa

administradora e, agora, estudante de jornalismo, carioca, mãe do cãozinho Tony, adora tecnologia e design, nossa morena lisa depois da chapinha, e, claro, palpiteira.

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1 comentário

  • Eliezer
    1 de junho de 2017 at 22:55

    “Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.”
    Fernando Pessoa (Bernardo Soares) – Livro do Desassossego

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