Caindo na real: como me encantei com o feminismo


 

Acabei de ler o livro “Para educar crianças feministas”, da escritora Nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, o que serviu para que eu mudasse o conceito da palavra feminista no meu dicionário interno.

Nunca fui uma mulher de grandes ideas, ao menos era o que eu pensava. Apesar de ser mulher negra no Brasil nunca pensei que eu tivesse que fazer da minha vida uma luta pela igualdade. Afinal eu cresci em uma casa com dois irmãos, um negro e um branco. E sempre fomos tratados igualmente. Não havia tarefas maiores ou menores para quem fosse do gênero feminino ou masculino, muito menos para quem era branco ou preto lá em casa.

Nunca a minha mãe me falou que eu não poderia fazer determinada coisa porque eu era menina, ao menos nada que tivesse ficado na memória. Pelo contrário, eu cresci pensando que poderia tudo. Cursei Engenharia, um curso tão famoso por ter em sua maioria alunos homens, mas nunca me senti deslocada na turma, mesmo quando havia 55 alunos homens e apenas 5 mulheres em sala de aula.

Por ser engenheira, trabalhei muitas vezes em empresas onde uma boa parte dos colegas eram homens e isso nunca foi problema, tabu ou coisa do tipo.

Dito tudo isso, simplesmente achei que criar filhos sem diferença entre os gêneros fosse ser a coisa mais fácil e natural para mim!

Eis que a vida me dá uma rasteira quando um belo dia meu filho decidiu que não poderia tocar no lençol cor de rosa da irmã. Teve crises de choro por causa disso, um verdadeiro ataque de nervos porque a irmã havia colocado o tal lençol rosa na cama dele. Ele simplesmente agiu como se aquilo estivesse contaminado com ebola, sei lá. Justo eu que apesar de não gostar muito de rosa, nunca discriminei o azul.

Justo eu que fui criada em uma casa onde não havia diferença entre homens e mulheres, pai e mãe trabalhavam e traziam igualmente o sustento para dentro de casa. Justo eu criada durante muito tempo por uma mãe que exerceu o papel de mãe e pai, cursou Direito e Pedagogia criando 3 filhos e, ao mesmo tempo, atingiu o ápice profissional a ponto de ter uma casa de cultura levando seu nome. Embora eu nunca a tenha ouvido se intitular feminista, devo dizer que hoje eu a considero a mulher mais feminista que conheci.

Logo eu que casei com um homem maravilhoso que cozinha, dá banho nas crianças (os primeiros banhos quem deu foi ele) e usa rosa sem ver nisso um motivo de vergonha, de tal modo natural que as crianças chamam pelo pai tanto quanto chamam pela mãe em casa.

Percebi, então, que se eu quisesse criar filhos sem preconceitos de gênero, raça, religião e outros não bastaria ficar na inércia dos exemplos, apesar de os exemplos serem importantes. Eu teria que partir para a prática e para isso teria que me municiar de conhecimento sobre o tema. Como estou só começando, aguardem as cenas dos próximos capítulos.

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Gisele Ferret

engenheira cartógrafa, carioca, mãe de Eric e Helena, dá nó em pingo d’água, é superfamília, nossa negra sem chapinha e, claro, palpiteira.

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2 Comentários

  • Eliezer
    3 de julho de 2017 at 18:06

    Girl Power!

    • Fábula
      Fábula
      4 de julho de 2017 at 16:19

      Vamos empoderar o humanismo!

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