Caindo na real: como me encantei com o feminismo parte 2


Como disse há alguns dias atrás no texto Caindo na real: como me encantei com o feminismo, eu andei tendo dificuldades com meu filho em questões relacionadas à crise desencadeada pela cultura segundo a qual o menino não usa rosa ou brinca de boneca. Após esse acontecimento, busquei, como tudo na minha vida, estudar através de livros e textos on-line sobre o feminismo, para entender que movimento é esse e como e porque essa palavra tem se tornado tão corriqueira nos últimos tempos.

Entre outras descobertas, a que mais me chamou a atenção foi um método de classificação de obras de ficção, para reconhecer neles igualdade de gênero, chamado teste de Bechdel, em homenagem à cartunista norte-americana Alison Bechdel.

Para passar no teste é necessário responder favoravelmente a três questões:

• Existem duas ou mais mulheres com nomes?
• Elas conversam entre si?
• Elas conversam entre si sobre algo que não seja homem?

Parece simples? Mas fique atenta aos próximos filmes, livros ou séries para saber quantos são aprovados. Parece que não muitos.

E claro, assim que soube, fui procurar saber se algumas obras recentes que eu li ou assisti passaram no teste, incluindo o filme sensação de dias atrás, Mulher-Maravilha, afinal esse filme trouxe um grande debate na rede sobre o feminismo, inclusive a Palpiteira Beta falou sobre esse filme no texto Mulher-Maravilha: a reconstrução de uma personagem.

A minha porta de entrada para esse mundo tão vasto do feminismo foi o livro da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, mas existem outros livros que podem ser adicionados a essa lista, que são:

“A extraordinária garota chamada estrela”, de Jerry Spinelli. Este é um livro que envolve o universo juvenil com suas emoções e as primeiras experiências a respeito do amor. Sendo um livro com essa característica, quase não imaginamos que possa haver diálogo entre duas personagens que não envolva homens. Mas isso acontece, pode acreditar!

“A história de quem foge e de quem fica”, de Elena Ferrante. Este livro faz parte de uma coleção que conta a história de duas amigas desde a infância até a vida adulta, as maravilhas e as mazelas do amadurecimento feminino.

“Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen. O livro é um clássico da literatura inglesa. A autora tem um olhar moderno para o lugar da mulher na sociedade aristocrática do século XIX.

“Chapeuzinho esfarrapado”, de Ethel Phelps. Este livro tem a intenção de contribuir com a igualdade de gênero e para isso conta histórias de heroínas onde as protagonistas são aventureiras e poderosas. Perfeito para presentear meninas para que saibam que o universo feminino vai muito além das princesas clássicas frágeis e que buscam unicamente o amor de um homem para ser feliz para sempre.

“A culpa é das estrelas”, de John Green. O livro trata da trajetória de uma jovem que descobre que tem um câncer bastante agressivo e encontra no amor uma razão para lutar pela vida. Até aí, um roteiro bastante comum. Porém é possível classificá-lo como aprovado no teste de Bechdel por possuir personagens femininos com nomes (a protagonista Hazel e sua mãe Emily são alguns exemplos) e porque diálogos emocionantes acontecem entre elas sem que homens estejam envolvidos.

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engenheira cartógrafa, carioca, mãe de Eric e Helena, dá nó em pingo d’água, é superfamília, nossa negra sem chapinha e, claro, palpiteira.

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1 comentário

  • Eliezer
    29 de julho de 2017 at 14:20

    Eu acho que esse teste da Bechdel é meio furado viu?
    Se for ver, qualquer novela da Globo passa nos três critérios, e no entanto…

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